Lojistas, feirantes, consumidores e presidentes de associações afirmam que o reordenamento no Centro, na Região da 44 e na Avenida 24 de Outubro, promovido pela Prefeitura de Goiânia, transformou para melhor o comércio. O processo, iniciado em março de 2025, deu a oportunidade para que todos os ambulantes interessados se instalassem nas feiras da Madrugada e Hippie com subsídio de três meses a um ano. Como resultado, as calçadas ficaram livres, a circulação de mercadorias aumentou e a segurança melhorou, segundo relatos de representantes de lojistas.
Segundo o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Goiás (Fecomércio-GO), Marcelo Baiocchi, o Centro de Goiânia é um bairro histórico, de comércio pujante, que nos últimos anos esteve esquecido. “A atual administração tem feito o que reivindicamos por muito tempo, liberando as calçadas, fazendo com que o Centro volte a ser daqueles que aqui residem e que aqui têm seu comércio”.
“Todas as ações da Prefeitura são necessárias — às vezes não agradam a todos, mas são ações que vêm para o bem da maioria, do coletivo”, diz Baiocchi. “A Fecomércio tem boa parte de seus associados aqui no Centro; são pessoas que acreditam na região e têm relatado grande satisfação em ver, nesta administração, a decisão de tomar essas medidas necessárias”.
Mais de 15 mil famílias de lojistas estabelecidas na Região da 44 foram beneficiadas pelo reordenamento, afirma o presidente do shopping de atacado Mega Moda, Carlos Luciano Ribeiro. “Os ambulantes, que não estão mais nas calçadas, agora estão nas feiras e galerias trabalhando e atraindo mais compradores. É claro que a região mais segura traz muito mais gente para comprar. A Prefeitura contribuiu ativamente para nosso objetivo de fazer de Goiânia a capital da moda”, afirma Carlos Luciano Ribeiro.
As caravanas internacionais voltaram a circular na Região da 44, segundo Max, diretor do shopping PitBull. “O principal é a experiência do cliente: chegar, encontrar o polo mais seguro e organizado do Brasil, conseguir transitar com seu carrinho.” Ele explica que a forma de o brasileiro comprar mudou, com aumento da circulação de mercadorias compradas on-line. “Os clientes vêm presencialmente para conhecer novos fornecedores, ver novas coleções lançadas. Por isso, é essencial que eles tenham tranquilidade”, afirma.
Segundo o presidente da Associação Empresarial da Região da 44 (AER44), Sérgio Naves, o reordenamento não consistiu apenas na organização das calçadas, mas veio acompanhado de investimentos em segurança: “A atuação da Prefeitura trouxe uma tranquilidade para o comprador, que hoje, em grande parte, é o atacadista que precisa de conforto e segurança. Essas ações, que foram de inteligência e não de truculência, diminuíram em 75% as ocorrências de furto. Vamos investir R$ 22 milhões em ruas inteligentes. Serão 172 câmeras integradas com o sistema da polícia, o que retorna em vendas.”
O investimento já tem dado resultados. No último Dia das Mães, houve aumento de faturamento de R$ 13 milhões, segundo Sérgio Naves. A expectativa, diz ele, é crescer ainda mais. “Semanalmente, recebemos três caravanas vindas da Bolívia. Somos o segundo maior polo produtor de moda do país. Estamos seguros de que podemos liderar nacionalmente dentro dos próximos 10 anos”.
Centro
Entre os representantes do comércio no Centro de Goiânia, o consenso é de que a negligência histórica foi revertida. “Há muitas gestões não tínhamos a atenção da Prefeitura, mas a atual gestão tem prestigiado todos os segmentos do Centro”, diz o presidente do Sindióptica-GO, Leandro Fleury. “Melhorou não apenas o nosso segmento, óticas, joias e bijuterias, relógios e cinefoto, mas todo o bairro. Percebemos que os planos da Prefeitura são para valorizar os comerciantes, os moradores e a parte cultural do Centro.”
O presidente do 3º Conselho Comunitário de Segurança de Goiânia (Conseg), Clauber Antônio, é morador do Centro desde a década de 1970, e relata a mudança no tratamento do bairro pelo poder público. “Percebo que houve, no passado, uma degradação enorme do Centro. Essa nova administração mudou a Avenida Anhanguera, realocando os camelôs que obstruíam as calçadas. O fluxo hoje é tranquilo, muito acessível e seguro para o transeunte e o consumidor. Essa ação direcionou os ambulantes a locais apropriados, permitindo que eles continuem com seus negócios.”
Concorda com ele o presidente da Associação Comercial e Industrial do Centro de Goiânia e Adjacências (ACIC), Antônio Alves Ferreira Filho. “Estamos sendo ouvidos”, diz. “Aqui na Avenida Anhanguera, o trânsito está desimpedido. Os comerciantes nos agradecem, porque há muito tempo pediam a realocação dos ambulantes. Nós tínhamos um Centro muito degradado. Estamos vendo lojas abertas aos domingos, o que não acontecia há muito tempo.”
Antônio Alves afirma que as ações da Prefeitura provocaram uma sensação de otimismo quanto ao futuro. “O atual momento é muito bom para quem quer investir no Centro. Os aluguéis estão baratos e há um movimento de retorno, com a inauguração recente de várias lojas. Temos de agradecer pelo olhar diferenciado para nossa região.”
Feira da Madrugada
Patrícia Mendes é lojista na Feira da Madrugada há 12 anos e relata que os feirantes instalados regularmente em seus pontos tiveram dificuldades para se sustentar no passado, mas que as mudanças significaram um alívio. “Sofremos por anos, porque os clientes não tinham sequer condições de entrar em nossa feira. Agora, com essa organização da Região da 44, o cliente pode transitar de um lado ao outro sem problemas. Nossas vendas melhoraram 100%.”
O reordenamento não deixou os ambulantes desamparados, frisa Patrícia Mendes. “Todo mundo voltou para as suas lojas, para as suas feiras. Porque, frequentemente, o ambulante tinha onde trabalhar, mas, como na gestão anterior não havia fiscalização, todo mundo ficava na rua para conseguir competir. Na rua não tem disciplina, não tem regra, não tem despesa. O primeiro vendedor recebia o cliente. Era uma concorrência desleal com quem cumpria as regras. Os ambulantes não foram abandonados; cada um voltou para o seu local.”
Poder Público
O secretário municipal de Eficiência, Fernando Peternella, destaca que todos os ambulantes que foram realocados da região tiveram a oportunidade de ir para as feiras. “As associações forneceram subsídio nas taxas de condomínio por três meses a um ano para todos os ambulantes que quisessem se instalar nos pontos das feiras.”
O Guarda Civil Metropolitano Marcos Couto afirma que o trabalho da corporação teve o intuito principal de organizar o fluxo para a população nas ruas e calçadas. “Sabemos que todos têm de trabalhar, mas quem está na informalidade precisa procurar os meios de se regularizar através da Secretaria Municipal de Eficiência (Sefic), que deu todas as condições para que os ambulantes se adaptem às normas.”
Quanto à segurança, Marcos Couto diz que houve uma diminuição sensível nas ocorrências e denúncias de tráfico, roubo e furto. Concorda com ele o Major Camilo, da Polícia Militar (PM). O major afirma que o trabalho da polícia foi facilitado pela adequação dos ambulantes às normas. “Os resultados podem ser sentidos pela população que caminha pelas ruas da cidade. Desenvolvemos operações para combater os crimes nessa região de forma integrada com as demais esferas.”
