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Relatório aponta ex-prefeito Renis Eustáquio em esquema de compra de votos em Joviânia

por Redação Diário Online
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A Polícia Civil concluiu uma investigação que expôs um amplo esquema de compra de votos durante as eleições municipais de 2024, no município de Joviânia, Goiás. O relatório final aponta a existência de uma estrutura organizada destinada a oferecer vantagens financeiras a eleitores em troca de apoio político.
 Início da investigação
A apuração começou após a prisão em flagrante de um dos envolvidos, detido com dinheiro em espécie dentro de um veículo durante um evento político. O caso levantou suspeitas de que valores estariam sendo distribuídos para influenciar o voto de moradores da cidade.
Depoimentos
Ao longo da investigação foram colhidos 25 depoimentos e interrogatórios, entre testemunhas, eleitores, integrantes da campanha e suspeitos. Parte dos relatos confirmou:
•Oferta de dinheiro para troca de adesivos de carros;
•Pagamento para participação em eventos políticos;
•Liberação de combustível custeado por coordenadores;
•Promessas de valores adicionais caso o candidato fosse eleito.
Alguns depoentes ainda afirmaram ter recebido quantias em dinheiro ou combustível como contrapartida por apoio político.
Dinheiro apreendido
A operação resultou na apreensão de um montante extremamente elevado de recursos em espécie. Em diferentes endereços ligados ao grupo investigado, foram apreendidos:
💰 R$ 1.625.417,00
O dinheiro foi encontrado fracionado em pacotes padronizados — muitos com valores de R$ 300,00, o que chamou a atenção dos investigadores por coincidir com o valor citado em relatos sobre o pagamento a eleitores.
Entre as apreensões houve também:
•Numerário dentro de envelopes com identificação de campanha;
•Mala contendo mais de R$ 1 milhão;
•Dinheiro escondido em residências e veículos;
•Listas com nomes, documentos e placas de veículos.
Prisão e fiança
O primeiro detido pagou R$ 40 mil em espécie como fiança para responder em liberdade, apesar de possuir renda incompatível com o valor, o que reforçou as suspeitas sobre a origem dos recursos.
Indícios de organização estruturada
O relatório afirma que o esquema apresentava:
•Planejamento;
•Divisão de tarefas;
•Controle de pagamentos;
•Cadastro de eleitores;
•Repasse de valores para compra de votos;
•Abastecimento gratuito de veículos durante carreatas.
Além disso, foi apreendido um caderno, que a partir da folha 59, consta o cabeçalho “Controle Campanha”, seguido de quatro páginas, frente e verso, contendo listagens de nomes de pessoas e estabelecimentos associados a valores monetários diversos. Logo após, observa-se uma folha com o título “Dinheiro compra de votos (controle)”, que, embora sem conteúdo, é sucedida por outra página sob o cabeçalho “Dinheiro compra de voto”, na qual há registros em colunas com nomes e valores.
Encaminhamento à Justiça
Com a conclusão do inquérito, o caso foi enviado à Justiça Eleitoral para análise e possíveis responsabilizações criminais e eleitorais dos envolvidos. A Polícia Civil também recomendou que a Receita Federal investigue a origem dos recursos apreendidos.
Impacto
O caso é considerado um dos maiores registros de apreensão de dinheiro ligado a crime eleitoral na região e aponta grave abuso do poder econômico e possível tentativa de manipulação do resultado das eleições.
A Justiça seguirá com o processo sob sigilo, e novas medidas podem ser determinadas conforme o andamento das apurações.

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