Início » Juiz havia determinado internação de Gerson Machado 30 dias antes de ele ser morto por leoa na Paraíba

Juiz havia determinado internação de Gerson Machado 30 dias antes de ele ser morto por leoa na Paraíba

por Redação Diário Online
0 comentários

Um mês antes de invadir a jaula de uma leoa e morrer atacado pelo animal em João Pessoa, o jovem Gerson de Melo Machado, conhecido como Vaqueirinho, já tinha uma determinação judicial para ser internado em um Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico. A decisão foi assinada pelo juiz Rodrigo Marques Silva Lima, da 6ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), no âmbito de um processo em que Gerson havia quebrado o portão do Centro Educacional de Adolescentes (CEA) no início do ano.

Segundo o magistrado, laudos periciais apontaram que o jovem, de 19 anos, apresentava esquizofrenia e era “inteiramente incapaz de compreender o caráter criminoso de seu ato”. Diante disso, o juiz aplicou absolvição imprópria e determinou internação por, no mínimo, um ano — medida que nunca chegou a ser cumprida.

No dia 24 de novembro, três semanas após a determinação e uma semana antes da tragédia no zoológico, Gerson voltou a ser preso após arremessar um paralelepípedo contra o para-brisa de uma viatura. No dia seguinte, porém, na audiência de custódia, a juíza Michelini de Oliveira Dantas Jatobá determinou sua liberação.

Histórico de transtornos e abandono

Gerson acumulava 16 passagens pela polícia, principalmente por danos e pequenos furtos, e sofria de graves transtornos mentais desde a infância. De acordo com relatos de policiais e profissionais da rede de proteção, ele repetia constantemente o sonho de ir à África para “domar leões”.

A conselheira tutelar Verônica Oliveira, que acompanhou o jovem por oito anos, diz estar devastada com a morte. Ela relatou que Gerson viveu em extrema vulnerabilidade desde pequeno: pobreza severa, abandono familiar, mãe com esquizofrenia e avós com problemas de saúde mental.

A primeira vez que Gerson chegou ao Conselho Tutelar tinha apenas 10 anos, após ser encontrado sozinho em uma rodovia federal. Desde então, viveu entre abrigos, fugas e tentativas de reencontro com a mãe, que havia perdido o poder familiar, mas continuava sendo procurada pelo adolescente.

Verônica relembrou episódios que demonstravam o sonho fixo de Gerson em conhecer leões. Em um dos mais graves, ele tentou acessar clandestinamente um avião, chegando a cortar uma cerca e entrar no trem de pouso de uma aeronave da Gol — sendo retirado antes que algo pior acontecesse.

Para ela, a morte no zoológico representa o desfecho de uma vida marcada pelo desamparo:

“A história dele é a de um menino que só queria conhecer a África para domar leões. Ele não tinha compreensão suficiente para perceber o perigo. Foi uma vida inteira de violações, abandono e doença sem tratamento”, lamentou.

Você também pode gostar

Deixe um comentário