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Alcolumbre evita líderes sob pressão por CPMI do Master

por Redação Diário Online
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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem adotado postura discreta e evitado reuniões com lideranças partidárias em meio à pressão crescente no Congresso por dois temas sensíveis: a possível derrubada do veto presidencial ao projeto da dosimetria e a eventual instalação de uma CPMI para investigar suposta fraude no banco Master.

O impasse é considerado uma verdadeira “sinuca de bico” nos bastidores. Pelo regimento do Congresso Nacional, caso Alcolumbre convoque sessão para analisar o veto da dosimetria — pauta defendida por setores do centro e da oposição — ele ficaria automaticamente obrigado a instalar a CPMI, desde que o requerimento com assinaturas suficientes seja lido em plenário.

Apesar de ter interesse na derrubada do veto que reduz penas dos condenados pela trama golpista, o senador já teria sinalizado resistência a abrir investigações parlamentares em ano eleitoral. A cautela aumentou após uma operação da Polícia Federal, realizada na sexta-feira (6), atingir Jocildo Lemos, presidente da Amapá Previdência e indicado por Alcolumbre. A investigação apura conexões entre fundos de pensão e o banco Master. Além disso, um dos irmãos do senador integra o conselho fiscal do órgão.

Nos bastidores, parlamentares da base governista e da oposição reclamam do afastamento do presidente do Senado. Desde a retomada dos trabalhos legislativos, no dia 2, Alcolumbre ainda não promoveu as tradicionais reuniões de líderes, espaço onde normalmente são definidas as prioridades da Casa.

A postura contrasta com a do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que já reuniu lideranças, encaminhou à CCJ o projeto que trata do fim da escala 6×1 e abriu votação em plenário. Enquanto isso, no Senado, as sessões da semana pré-Carnaval ocorrerão de forma semipresencial.

Em conversa com o SBT News, três senadores influentes afirmaram não ter recebido retorno de Alcolumbre sobre como pretende resolver o impasse. Um deles, sob reserva, afirmou que o presidente da Casa “está se escondendo” e evitando o debate coletivo.

Procurado, Alcolumbre não se manifestou. Interlocutores afirmam que ele tem priorizado reuniões individuais e deve conversar com cerca de 40 senadores até o fim da semana, mas sem previsão para convocar sessão do Congresso.

Diante do bloqueio, cresce a avaliação de que o presidente do Senado pode buscar uma interpretação alternativa do regimento para evitar a CPMI do Master. Outra hipótese discutida é a criação de uma comissão de inquérito apenas no Senado, o que garantiria maior controle político do processo, diferentemente de uma CPMI composta também por deputados.

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