A atuação direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi determinante para destravar o diálogo entre o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Banco Central (BC) no chamado caso Master. A avaliação é de ministros da Corte, que veem na reunião marcada para a tarde desta segunda-feira (12) o início de uma nova fase na condução do processo.
O encontro entre o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o presidente do TCU, Vital do Rêgo, deve marcar uma mudança de postura, com a adoção de um caminho mais dialogado. A expectativa é de que o embate institucional entre o relator do caso, ministro Jhonatan de Jesus, e o BC seja contido, reduzindo tensões que vinham se acumulando nos bastidores.
De acordo com relatos reservados, Lula demonstrou preocupação com os desdobramentos do caso após avaliar possíveis impactos no mercado financeiro. O presidente teria defendido uma postura mais aberta em relação à atuação do Banco Central e sinalizado a necessidade de cautela na condução do processo.
Esses recados chegaram a Vital do Rêgo e provocaram uma inflexão interna no TCU. Nos bastidores, ministros chegaram a classificar a movimentação como um “enquadro”, que resultou em mudanças significativas na forma como a crise vinha sendo administrada.
Além da intervenção do Planalto, o ambiente interno da Corte também pesou. Cresceu a pressão de ministros contrários à postura adotada por Jhonatan de Jesus e ao aval inicial dado por Vital do Rêgo para a realização de uma inspeção no processo de liquidação do Master conduzido pelo Banco Central.
Integrantes do tribunal passaram a manifestar preocupação com a credibilidade do TCU e com os efeitos institucionais do caso, avaliando que o embate poderia comprometer a atuação da Corte em outros processos de grande repercussão nacional.