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BC liquida Reag após avanço de investigação do Caso Master

por Redação Diário Online
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O Banco Central (BC) determinou, nesta quinta-feira (15/1), a liquidação extrajudicial da Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., atualmente denominada CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., com sede em São Paulo. A decisão foi tomada um dia após a segunda fase da Operação Compliance Zero, que teve como principal alvo o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

Segundo o BC, a medida foi adotada em razão de “graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN)”. A autarquia informou ainda que as apurações continuam e que o resultado pode levar à aplicação de novas sanções administrativas, além de comunicações às autoridades competentes. Conforme a legislação, os bens dos controladores e ex-administradores da instituição ficam indisponíveis.

O empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, foi um dos alvos da operação da Polícia Federal (PF) realizada na quarta-feira (14/1). Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados a ele. A ação também atingiu o empresário Nelson Tanure, conhecido por investir em empresas em dificuldades financeiras.

De acordo com o Banco Central, a Reag está enquadrada no segmento S4 para fins de regulação prudencial e representa cerca de 0,001% do ativo total ajustado do Sistema Financeiro Nacional. O BC destacou que seguirá com o trabalho de apuração de responsabilidades, que poderá resultar em novas penalidades.

A liquidação ocorre na esteira das investigações que apontam que a Reag teria administrado fundos utilizados para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master, também liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025. A suspeita é de uso de estruturas financeiras para simular operações de crédito, criar lastro fictício e conferir aparência de solidez a ativos que não refletiam a realidade contábil.

Fontes ligadas à investigação indicam que parte dos indícios surgiu a partir da análise de movimentações consideradas atípicas em fundos sob gestão da Reag, incluindo operações de curtíssimo prazo com rentabilidades extraordinárias, incompatíveis com os padrões do mercado financeiro.

Fundada na Faria Lima, principal centro financeiro do país, a Reag Investimentos chegou a ser considerada um dos maiores casos de crescimento do setor. Entre 2020 e 2025, o patrimônio sob gestão saltou de R$ 25 bilhões para R$ 341 bilhões. O desempenho, no entanto, passou a ser visto com desconfiança após o avanço de investigações da PF envolvendo o mercado financeiro e organizações criminosas.

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