O câncer de próstata é o segundo tipo que mais mata homens no Brasil, ficando atrás apenas do câncer de pulmão. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a estimativa é de 71.730 novos casos por ano entre 2023 e 2025 — o que representa cerca de 68 diagnósticos a cada 100 mil homens. Somente em 2021, mais de 16 mil brasileiros morreram em decorrência da doença, o que equivale a 44 mortes por dia.
Durante o Novembro Azul, mês dedicado à saúde masculina, especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce e da quebra de tabus que ainda cercam o tema. Segundo o urologista Antônio Moraes, do Hospital Unique, o preconceito ainda é uma das principais barreiras no enfrentamento da doença.
“Ainda existe resistência de muitos homens para realizar exames preventivos. O medo do diagnóstico, o receio do exame físico e os tabus culturais atrasam o cuidado com a própria saúde. Mas informação e acolhimento são essenciais para mudar esse cenário”, explica Moraes.
O especialista destaca que, graças à campanha Novembro Azul, o número de homens que procuram avaliação médica vem aumentando, inclusive entre os mais jovens. “Há uma mudança gradual de comportamento. Mais informação e campanhas de conscientização têm tornado o assunto menos tabu e mais discutido”, afirma.
Diagnóstico e prevenção
O diagnóstico do câncer de próstata é feito com o exame de sangue PSA (antígeno prostático específico) e o toque retal, ambos simples e rápidos. Se houver alterações, podem ser solicitadas ressonância multiparamétrica e biópsia prostática.
O Inca orienta que homens sem fatores de risco iniciem o rastreamento a partir dos 50 anos. Já aqueles com histórico familiar da doença ou negros devem começar aos 45 anos. Após os 75 anos, a necessidade do exame deve ser avaliada individualmente.
Os principais fatores de risco são: idade avançada, histórico familiar, etnia (homens negros têm mais probabilidade de desenvolver a doença), sedentarismo, obesidade e dieta rica em gorduras.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a adoção de hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos, controle do peso, redução do consumo de álcool e abandono do tabagismo.
Tratamento e chances de cura
O tratamento depende do estágio e da agressividade do tumor, podendo incluir cirurgia, radioterapia, terapia hormonal ou quimioterapia. Em casos de tumores de baixo risco, o médico pode optar pela vigilância ativa, acompanhando o paciente com exames periódicos.
“Quando o câncer é descoberto no início, as chances de cura ultrapassam 90% e podem chegar a 98% em casos localizados. O diagnóstico precoce é a principal arma para garantir a cura e preservar a qualidade de vida”, ressalta Moraes.
O médico reforça o apelo para que os homens superem o medo e busquem acompanhamento regular:
“Cuidar da saúde é um ato de coragem. Uma simples consulta anual pode salvar vidas.”
📅 Campanha: Novembro Azul
👨⚕️ Fonte: Dr. Antônio Moraes, urologista do Hospital Unique