Início » Conselho da ONU debate Venezuela após captura de Maduro

Conselho da ONU debate Venezuela após captura de Maduro

por Redação Diário Online
0 comentários

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) se reúne na manhã desta segunda-feira (5/1) para discutir a operação conduzida pelos Estados Unidos que resultou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores. O encontro acontece na sede da ONU, em Nova York, a partir das 10h no horário local (12h no Brasil).

A reunião foi solicitada pela Colômbia, governada por Gustavo Petro, que tem protagonizado embates diplomáticos com o presidente norte-americano, Donald Trump. O Brasil participará da sessão, porém sem direito a voto, já que não integra o grupo de membros permanentes do Conselho.

De acordo com informações apuradas pelo Metrópoles, o Brasil será representado pelo embaixador Sérgio Danese, que deve pedir a palavra durante a reunião. Interlocutores do Itamaraty afirmam que o governo brasileiro não pretende alterar sua posição oficial em relação à ação dos Estados Unidos contra a Venezuela.

Operação dos EUA

No último sábado (3/1), forças norte-americanas realizaram ataques em diferentes regiões da Venezuela. A operação culminou na captura de Nicolás Maduro, apontado por Washington como líder do chamado Cartel de los Soles, grupo recentemente classificado pelos Estados Unidos como organização terrorista internacional.

Segundo as regras da ONU, possuem direito a voto no Conselho os membros permanentes — China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos — além da Somália, que preside o colegiado neste mês. A Colômbia atua como representante da América do Sul no atual mandato.

Reação regional

A reunião ocorre após um encontro extraordinário da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Na ocasião, o chanceler venezuelano Yván Gil classificou a operação como “criminosa” e pediu que os países-membros exijam a libertação de Maduro.

Durante reunião virtual, Gil afirmou que a Celac enfrenta uma “responsabilidade histórica” e criticou qualquer postura de silêncio ou condenações consideradas brandas. Segundo ele, a região deve se posicionar em defesa do direito internacional e contra ações unilaterais.

Antes disso, o Brasil divulgou uma nota conjunta com México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha, defendendo uma solução pacífica para a crise e rejeitando ingerências externas. Apesar das discussões, o encontro terminou sem consenso.

Divergência entre Brasil e França

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que a operação dos Estados Unidos “ultrapassa uma linha inaceitável” e relembra episódios históricos de interferência na América Latina, colocando em risco a região como zona de paz.

A posição contrasta com a da França. O presidente Emmanuel Macron afirmou que o povo venezuelano estaria “libertado da ditadura” e indicou apoio a um processo de transição política no país.

As declarações provocaram reação imediata do governo venezuelano. Yván Gil classificou a fala de Macron como “ingerência inadmissível” e reforçou que a Venezuela mantém suas instituições legítimas e um governo respaldado pela Constituição.

Situação de Maduro

Nicolás Maduro está detido no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, em Nova York, conhecido por abrigar presos de grande repercussão internacional. Ele aguarda julgamento por acusações de narcoterrorismo e tráfico internacional de drogas.

Segundo a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, Maduro responde a um processo no Distrito Sul de Nova York por conspiração para narcoterrorismo, importação de cocaína e posse de armamentos de uso restrito. A pena mínima prevista é de 20 anos de prisão, podendo chegar à prisão perpétua.

Você também pode gostar

Deixe um comentário