A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) divulgou uma nota pública criticando decisões recentes do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), relacionadas às investigações que envolvem o Banco Master. Segundo a entidade, as determinações judiciais adotadas no caso criam um cenário considerado “manifestamente atípico” e geram preocupação institucional dentro da corporação.
De acordo com a ADPF, as medidas impostas pelo ministro alteram de forma incomum a dinâmica tradicional das investigações conduzidas pela Polícia Federal. Entre os principais pontos de insatisfação está a determinação para que provas apreendidas — como celulares, computadores, documentos e mídias digitais — não permaneçam sob custódia direta da PF, sendo encaminhadas para guarda e análise sob supervisão do Supremo e da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Ainda conforme a associação, embora peritos da própria Polícia Federal tenham sido designados para atuar na extração dos dados, a retirada da custódia das provas da autoridade policial compromete a autonomia investigativa e foge dos protocolos técnicos historicamente adotados pela corporação.
Outro aspecto criticado diz respeito à imposição de prazos considerados exíguos e à determinação de diligências que, segundo os delegados, teriam sido estabelecidas sem observância do planejamento investigativo previamente estruturado. Para a ADPF, esse modelo interfere diretamente na condução técnica do inquérito e pode afetar a eficácia da apuração.
Na nota, a entidade afirma que respeita as decisões judiciais, mas ressalta que a atuação da Polícia Federal é regida por prerrogativas legais que garantem independência técnica na coleta, preservação e análise de provas. A associação destaca que qualquer ruptura nesse equilíbrio institucional pode gerar insegurança jurídica e comprometer a credibilidade das investigações.
O caso envolve suspeitas de irregularidades financeiras atribuídas a operações do Banco Master e seus dirigentes, alvo de medidas como buscas, apreensões, prisões temporárias e bloqueios bilionários de bens. O ministro Dias Toffoli, relator do processo no STF, sustenta que as decisões adotadas são necessárias diante da gravidade dos indícios e da complexidade do esquema investigado.
Ao final do posicionamento, a ADPF defende a retomada de uma atuação institucional harmônica entre o Judiciário, o Ministério Público e a Polícia Federal, com respeito às atribuições legais de cada órgão e preservação da autonomia técnica das investigações.