Os movimentos recentes no cenário político de Goiás, após a filiação da advogada Ana Paula ao Partido Liberal (PL), provocaram ajustes estratégicos na base governista que articula a chapa para as eleições estaduais. Nesse contexto, o nome do ex-senador Luiz do Carmo (Podemos) passou a ganhar força como possível vice na composição encabeçada por Daniel Vilela (MDB).
Nos bastidores do Palácio das Esmeraldas, a avaliação é de que a escolha de um nome oriundo do núcleo de governo poderia representar alto risco eleitoral. O entendimento de analistas é que o momento exige um perfil com experiência em disputa majoritária, base política consolidada e capilaridade no interior do estado.
Luiz do Carmo reúne ativos considerados estratégicos. Além da trajetória no Senado, tem forte ligação com a comunidade evangélica — segmento que representa parcela significativa do eleitorado goiano — e é irmão do bispo Oídes do Carmo, liderança religiosa de projeção nacional. Também possui vínculos com o setor do agronegócio e histórico político alinhado a pautas conservadoras.
O ex-senador mantém interlocução com lideranças nacionais ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em 2020, foi o primeiro senador a protocolar pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Internamente, aliados avaliam que sua eventual presença na chapa poderia neutralizar críticas feitas pelo senador Wilder Morais (PL), que questiona o MDB por supostas aproximações com partidos de esquerda. A inclusão de um nome identificado com o campo conservador reduziria esse espaço de ataque.
Outro nome ventilado na base governista é o do ex-deputado José Mário Schneider, ligado ao agronegócio. Contudo, o período sem mandato e o perfil mais segmentado são considerados pontos de atenção na estratégia eleitoral.
Diante do cenário de rearranjo político, Luiz do Carmo passa a ser visto como um dos principais beneficiados no xadrez pré-eleitoral goiano.