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O Supremo na lama

por Giuliano Mioto
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A atual conjuntura do Supremo Tribunal Federal (STF) reflete uma crise de legitimidade que parece ter atingido seu ápice em 2026. A percepção pública de que a Corte abandonou seu papel de guardiã imparcial da Constituição para atuar como um ator político e corporativista é alimentada por decisões monocráticas extensivas e inquéritos que se perpetuam sem prazos definidos. Esse cenário de “hipertrofia judiciária” gera um desequilíbrio entre os Poderes, onde a segurança jurídica é sacrificada em prol de uma agenda que muitos críticos classificam como uma casta de “intocáveis” situada acima do escrutínio democrático.

O escândalo do Banco Master aprofunda essa ferida ao expor laços preocupantes entre ministros e figuras centrais de fraudes financeiras bilionárias. A revelação de que o ministro Dias Toffoli era sócio de uma empresa com transações ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, somada às supostas mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e o investigado em momentos críticos de sua prisão, pinta um quadro de promiscuidade entre o topo do Judiciário e o poder econômico. Mesmo com as negativas oficiais e o corporativismo da Corte ao defender seus pares, o prejuízo de quase R$ 50 bilhões ao sistema financeiro torna o silêncio ou a autodefesa do STF um insulto à transparência exigida de qualquer instituição republicana.

A resposta da Corte, limitada à promessa de criação de um novo código de ética, soa insuficiente diante da gravidade dos fatos narrados em relatórios da Polícia Federal e na imprensa internacional. A resistência em aceitar investigações externas, como a CPI do Master, e o hábito de ministros se declararem suspeitos apenas após o desgaste público ser consumado, reforçam a ideia de um tribunal que opera sob suas próprias regras de conveniência. Sem uma reforma profunda que limite mandatos e estabeleça critérios rígidos contra conflitos de interesse, o STF corre o risco de se consolidar não como o defensor do Estado de Direito, mas como o símbolo maior de sua fragilização.

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