O governo da Rússia confirmou nesta quinta-feira (12/2) o bloqueio do aplicativo WhatsApp em todo o país. A informação foi divulgada pela agência estatal Tass e confirmada pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, durante entrevista coletiva.
Segundo Peskov, a decisão foi tomada após a Meta, empresa dona do WhatsApp, se recusar a cumprir a legislação russa. “Quanto ao bloqueio do WhatsApp, nossos reguladores anunciaram tal decisão e a implementaram devido à relutância da Meta em cumprir a lei russa”, afirmou.
A Roskomnadzor, agência reguladora de telecomunicações da Rússia, alegou que o aplicativo vinha sendo utilizado para organizar e executar atividades terroristas, além de servir como meio para fraudes, extorsões e outros crimes contra cidadãos russos.
Apesar do bloqueio, o Kremlin sinalizou que a medida pode ser revertida. Segundo Peskov, “o WhatsApp pode ser totalmente restaurado se o aplicativo cumprir as normas russas e estiver disposto ao diálogo”.
Escalada de restrições
O bloqueio cumpre uma ameaça feita ainda em novembro do ano passado, quando a Roskomnadzor acusou o WhatsApp de ser usado para recrutamento de terroristas e aplicação de golpes financeiros. Na ocasião, a Meta negou as acusações e afirmou que o governo russo tenta violar o direito da população à comunicação segura.
Meses antes, em agosto, a Rússia já havia restringido chamadas de áudio e vídeo no WhatsApp e no Telegram, alegando que esses recursos estariam sendo usados para crimes, sabotagem e terrorismo.
Em resposta às medidas russas, a Meta anunciou, em setembro, o banimento global de veículos de mídia estatais russos, como RT, Rossiya Segodnya e TV-Novosti, sob acusação de interferência estrangeira.
A decisão aprofunda o conflito entre o Kremlin e empresas de tecnologia ocidentais, ampliando o isolamento digital no país.