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Decisão histórica avança tratado entre os blocos, mas acordo ainda depende de aval do Parlamento Europeu
A União Europeia deu um passo decisivo nesta semana ao ratificar o acordo comercial com o Mercosul, encerrando uma das negociações mais longas da história recente do comércio internacional. A decisão foi tomada pelo Conselho da União Europeia, que reúne representantes dos Estados-membros, após mais de 25 anos de tratativas entre os dois blocos.
Com isso, a UE autorizou a assinatura formal do tratado de parceria e comércio com os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A cerimônia de assinatura está prevista para ocorrer no dia 17 de janeiro, em Assunção, no Paraguai, que atualmente exerce a presidência do bloco sul-americano.
Apesar do avanço, o acordo ainda não entra em vigor de forma imediata. O texto precisa ser analisado e aprovado pelo Parlamento Europeu e, posteriormente, ratificado pelos países-membros da União Europeia conforme seus ritos internos.
Resistência interna e divisão entre países europeus
A ratificação não foi unânime. Países como França, Irlanda, Polônia, Áustria e Hungria se posicionaram contra o acordo nesta etapa do processo. A principal preocupação envolve os impactos do tratado sobre o setor agrícola europeu, especialmente diante da concorrência com produtos do Mercosul.
Além disso, governos e associações de produtores rurais manifestaram receios relacionados a questões ambientais, sanitárias e ao cumprimento de normas de sustentabilidade. Protestos de agricultores foram registrados em diversos países europeus nas últimas semanas, pressionando autoridades a reverem ou condicionarem o acordo.
Mesmo diante das resistências, a maioria dos Estados-membros optou por avançar, avaliando que o tratado representa um ganho estratégico para a economia europeia em um cenário global cada vez mais competitivo.
Impacto para o Mercosul e o Brasil
Do lado sul-americano, a ratificação foi recebida como uma vitória diplomática e econômica. O acordo prevê a redução gradual de tarifas, ampliação do acesso a mercados e estímulo a investimentos entre os blocos, criando uma das maiores zonas de livre comércio do mundo.
No caso do Brasil, o tratado é visto como uma oportunidade para ampliar exportações, especialmente nos setores do agronegócio e da indústria, além de fortalecer a inserção do país em cadeias globais de valor.
Próximos passos
Após a assinatura formal, o foco passa a ser a tramitação no Parlamento Europeu, etapa considerada decisiva para a consolidação do acordo. Somente após essa aprovação e a ratificação final pelos países da UE o tratado poderá começar a ser aplicado.
Enquanto isso, o acordo UE-Mercosul segue no centro do debate político e econômico internacional, dividindo opiniões, mas consolidando-se como um dos movimentos mais relevantes do comércio global nos últimos anos.