Mesmo com relatos de comemoração pela prisão de Nicolás Maduro, venezuelanos afirmam que o país ainda não está livre e defendem a realização de novas eleições transparentes como única forma de mudança real. Migrantes ouvidos relatam medo, repressão e silêncio forçado dentro da Venezuela, além de rejeição à posse interina da chavista Delcy Rodríguez.
Angis Marlyn, de 26 anos, auxiliar de contabilidade que vive há cinco anos em Roraima, contou que esteve em dezembro em Maturín, no estado de Monagas, para passar as festas com a família. Segundo ela, apesar da alegria contida com a notícia da prisão de Maduro, não houve comemoração pública por medo da repressão militar.
“Ficamos em casa por resguardo e segurança. Externamente não teve festa. As pessoas têm medo de sair e não voltar. Se você comemora, existe repressão. Os militares estão contra o povo”, relatou.
O mesmo cenário foi descrito por Brenda Tavárez, de 30 anos, e Diniz Tavárez, de 33, vindos de Santa Elena de Uairén, cidade venezuelana que faz fronteira com Pacaraima. Segundo o casal, manifestações públicas são tratadas como crimes políticos, e qualquer celebração pode resultar em prisão sob a acusação de “incitação ao ódio”.
“Estamos felizes, mas não podemos fazer festa agora. Se fizermos, podemos ser presos”, afirmou Brenda. Diniz reforçou que, apesar de a região de fronteira estar relativamente tranquila, Caracas segue fechada e fortemente militarizada.
Para Angis, a saída de Maduro não representa o fim do regime. Ela acredita que o sistema chavista segue ativo em outras estruturas do poder e critica a posse interina de Delcy Rodríguez. “É totalmente errado. Não faz sentido reconhecer uma pessoa sabendo de tudo o que aconteceu nas eleições anteriores”, afirmou.
Segundo os migrantes ouvidos, a condição básica para acreditar em uma mudança concreta é clara: novas eleições, livres e transparentes.
No Brasil, venezuelanos realizaram atos públicos em Boa Vista, capital de Roraima — estado com a maior população venezuelana no país, segundo o IBGE — e também em Manaus. As manifestações ocorreram em apoio à intervenção militar do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para capturar Nicolás Maduro.