A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que monitora 65 mortes classificadas como suspeitas após o uso das chamadas canetas emagrecedoras no Brasil. Os dados fazem parte do sistema oficial de farmacovigilância e abrangem notificações registradas ao longo dos últimos anos.
De acordo com informações divulgadas em reportagem do Metrópoles, os casos foram inseridos no sistema VigiMed, que reúne relatos de possíveis reações adversas enviados por profissionais de saúde, pacientes e fabricantes. A agência destaca que uma notificação não significa, automaticamente, que o medicamento tenha causado o óbito.
O levantamento também aponta um crescimento expressivo nas notificações de eventos adversos relacionados a esses medicamentos, impulsionado principalmente pela popularização das canetas para emagrecimento no país. Entre os efeitos mais relatados estão náuseas, vômitos, diarreia, constipação e mal-estar gastrointestinal.
Além dos sintomas já previstos em bula, também há registros de eventos mais graves, como casos de pancreatite, que exigem atenção médica imediata. Esse tipo de inflamação pode evoluir para quadros clínicos mais severos dependendo das condições do paciente e do uso inadequado do medicamento.
As notificações envolvem fármacos da classe dos análogos de GLP-1, utilizados tanto no tratamento do diabetes tipo 2 quanto no controle da obesidade. Entre os princípios ativos mais conhecidos estão a semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida, que passaram a ganhar grande demanda fora das indicações médicas originais.
A Anvisa reforçou que, até o momento, não há comprovação de relação causal direta entre as mortes notificadas e o uso das canetas emagrecedoras. O monitoramento faz parte do processo contínuo de segurança após a comercialização dos medicamentos, com o objetivo de identificar possíveis riscos à saúde pública.
Diante do aumento do uso, a orientação das autoridades sanitárias permanece clara: os medicamentos devem ser utilizados apenas com prescrição e acompanhamento médico. Especialistas alertam que o uso indiscriminado, especialmente para fins estéticos, pode elevar riscos e provocar efeitos adversos relevantes.