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Corrida pela Alego testa força de Mabel

por Luma Silveira
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Entre nomes apoiados pelo atual prefeito está seu atual líder na Câmara Municipal, relator de importantes projetos para Paço e “afilhado” novato de mesmo sobrenome e perfil semelhante

A disputa por cadeiras na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) pode vir a ser um teste de força política para o prefeito Sandro Mabel (UB). Pelo menos quatro pré-candidatos a deputado estadual possuem vínculo com o atual ocupante do Paço: Wellington Bessa (DC), Lucas Kitão (Mobiliza), Nárcia Kelly (PP) e Felipe Mabel (Podemos).

Nas características desse agrupamento existe potencial para a formação de uma bancada no parlamento goiano. Como “padrinho”, o desempenho de Mabel pode contrastar de forma veemente com o de seu antecessor, Rogério Cruz (PA), que conseguiu eleger apenas um deputado estadual na atual Legislatura.

De perfil considerado técnico e conciliador, o líder do prefeito na Câmara Municipal, Wellington Bessa, contribuiu para diminuir o acirramento dos ânimos entre Sandro Mabel e os vereadores, com destaque para sua atuação para diminuir a temperatura dos debates acerca do Consórcio LimpaGyn.

Já o vereador Lucas Kitão (Mobiliza) foi relator de alguns dos projetos mais relevantes para a Prefeitura na Câmara como o Morar no Centro, o Programa de Autonomia Financeira das Unidades de Saúde (Pafus) e os vários auxílios sociais, entre eles Natalidade, Aluguel e Calamidade Pública. Ex-prefeita de Bela Vista de Goiás, Nárcia Kelly (PP) foi indicada por sua legenda para assumir o Goiânia Tur a pedido do próprio Sandro Mabel, em atendimento ao anseio do chefe do Executivo da capital de ter um nome feminino entre os quadros de seu secretariado.

Se esses pré-candidatos ligados ao prefeito possuem carreira já consolidada, um afilhado que desponta na disputa por uma vaga na Alego é o novato Felipe Mabel (Podemos). Além da identidade de sobrenome, o empresário anapolino aparece na cena política goiana com um discurso que se aproxima da trajetória do prefeito de Goiânia: defesa do empreendedorismo, adoção de um discurso pragmático no exercício da vida pública e comprometimento com pautas centradas no desenvolvimento econômico como alavanca produtora de bem-estar social.

Por outro lado, o único nome diretamente ligado a Rogério Cruz que conseguiu ser eleito para ocupar uma vaga na Alego, Clécio Alves (PSDB), parece expressar a crise do período final da gestão de seu padrinho, na forma de uma atuação errática e tímida na atual legislatura. Das 229 proposições de autoria do parlamentar ao longo dos últimos quatro anos, 42 são projetos de Lei Ordinária. Desse total, 17 são de proposituras a concessão de título de cidadania. De resto, os 151 requerimentos revelam a ausência de uma linha coerente de ação.

A timidez do tucano parece refletir o retorno de Cruz à vida pública. No final de março deste ano, o ex-prefeito de Goiânia reapareceu na presidência do diretório regional de um recente e obscuro Partido do Autista (PA), criado no final de 2025 na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

Nessa conflagração entre afilhados, a diferença de tom e amplitude traduz não apenas uma divisão, mas uma verdadeira imagem reflexa, na qual de um lado se apresenta um grupo político em formação, mais coeso e coerente nas estratégias, de outro, uma vacilante busca de sobrevivência. No pleito que se aproxima, as dúvidas quanto a qual padrinho vai prevalecer parecem não resistir nem mesmo à análise mais superficial.

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