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Escritório de Lewandowski recebeu milhões do Master sem atuar em processos

por Redação Diário Online
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O escritório de advocacia ligado ao ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski recebeu valores milionários do Banco Master, apesar de não aparecer em nenhum processo judicial relacionado à instituição financeira. O contrato previa a prestação de serviços de consultoria jurídica, mas não há registros de atuação formal em ações envolvendo o banco ou seus controladores.

De acordo com informações reveladas em coluna jornalística, o acordo previa o pagamento de R$ 250 mil mensais à Lewandowski Advocacia, contrato que permaneceu vigente até setembro de 2025. O período coincide, em parte, com o tempo em que Ricardo Lewandowski já integrava o governo Lula, após assumir o Ministério da Justiça em janeiro de 2024.

O escritório está registrado em nome da esposa do ex-ministro, Yara de Abreu Lewandowski, e do filho, Enrique de Abreu Lewandowski. Nenhum dos dois, no entanto, consta como advogado atuante em processos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro ou às empresas do Banco Master.

Em nota, Lewandowski confirmou a existência do contrato, afirmando que o serviço prestado era exclusivamente de consultoria jurídica, sem incluir representação do banco junto a órgãos do Poder Executivo. Durante a vigência do acordo, apenas uma reunião oficial de Enrique Lewandowski com autoridades públicas foi registrada, em maio de 2024, com membros da Advocacia-Geral da União (AGU), para tratar de um processo no Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre seguros habitacionais — sem qualquer menção ao Banco Master.

Yara Lewandowski possui inscrição na OAB de São Paulo e do Distrito Federal, mas atua apenas em causas cíveis e não tem processos registrados no Supremo Tribunal Federal (STF). Já Enrique mantém atuação mais ampla, integrando também outro escritório em São Paulo e defendendo grandes empresas, como Ducoco e Integralmédica, ambas sem relação com o Banco Master.

O contrato entre o banco e a Lewandowski Advocacia foi assinado em 28 de agosto de 2023 e os pagamentos seguiram até setembro de 2025, quando Lewandowski já estava há cerca de 21 meses no comando do Ministério da Justiça. Ele foi indicado ao cargo pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

Após a revelação das relações entre Lewandowski e Daniel Vorcaro, além do envolvimento político no caso, o governo Lula passou a enfrentar pressão em torno da possível instalação da CPI do Banco Master. Deputados da base governista passaram a coletar assinaturas para tentar influenciar o controle da comissão, caso ela seja criada.

Por meio da assessoria, Enrique Lewandowski afirmou que o contrato previa apenas consultoria, sem atuação em casos específicos. Segundo ele, o trabalho incluía reuniões presenciais uma ou duas vezes por mês na sede do banco e interlocução com o então diretor jurídico do Master, Luiz Rennó, com foco em temas fiscais e tributários.

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