A transcrição de diálogos entre ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), na reunião fechada que selou a saída de Dias Toffoli da relatoria do caso Master, deixou perplexos os integrantes da Corte.
O Portal Poder 360 divulgou os diálogos entre os ministros nos mesmos termos que falaram os magistrados.
A reunião durou mais de 3 horas e foi convocada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, para discutir o relatório apresentado pela Polícia Federal com elementos encontrados nas investigações do Master contra Toffoli.
Uma parte dos magistrados defendia que o documento da polícia não tinha validade jurídica e deveria ter sido rejeitado de prontidão por Fachin. Outra ala, porém, queria que o caso fosse a julgamento do conjunto da Corte.
A suspeita é que o próprio Ministro Toffoli tenha gravado as falas dos colegas.
Veja o que falaram casa ministro do STF em reunião com Toffoli, segundo o Poder 360:
Gilmar Mendes: “Eu acho que o que está por trás disso é que o ministro Toffoli tomou algumas decisões ao longo do seu tempo nesse caso Master aqui no STF que contrariaram a Polícia Federal. E a Polícia Federal quis revidar”.
Carmén Lúcia: “Todo taxista que eu pego fala mal do Supremo. A população está contra o Supremo”. Disse ainda que, apesar de ter “confiança” em Toffoli, era necessário “pensar na institucionalidade”.
Luiz Fux: “O ministro Toffoli para mim tem fé pública. Meu voto é a favor dele. Acabou. Eu não sei o que vocês estão discutindo”. Nunes Marques: “Para mim, isso é um nada jurídico. Isso é um absurdo: o juiz lá do interior passará a ser comandado pelo delegado local se aceitarmos esse tipo de situação. Acabou o Poder Judiciário do Brasil. O Fachin não pode colocar em votação a arguição. Minha sugestão é que o ministro relator do processo faça uma proposição dizendo que não é impedido nem suspeito e coloque os argumentos dele diante do que foi apresentado e a gente vota. E pelo que vi aqui, ele vai ter maioria. O ideal seria unanimidade, presidente. Mas estou falando mais sobre encaminhamento, pois do mérito eu não tenho dúvida”
André Mendonça: “Tem uma questão sobre o que é descrito como relação íntima do ministro Toffoli”. Em seguida: “Isso não existe. Está aqui claro que não existe: relação íntima em 6 anos só com 6 minutos de conversa? Como disse o ministro Fux, a palavra do ministro Toffoli tem fé pública. Então, isso está descartado”
Cristiano Zanin: “Sou há 1 ano e meio relator de um caso que envolve 3 ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e a Polícia Federal até hoje mandou para mim muito menos informação do que essas 200 páginas, com fotos de satélite, cruzamento de celulares? Isso aqui tudo é nulo”.
Flávio Dino: “Essas 200 páginas [de relatório da PF] para mim são um lixo jurídico. Não adianta discutir esse lixo jurídico. A crise hoje é política, presidente [Fachin]. Em 2035, se Deus me der saúde, eu quero estar nesta cadeira. E esta cadeira tem bônus e ônus. Eu acho que não adianta pensar nesta cadeira só nos bônus. Eu acho, sr. presidente, que o sr. deveria ter resolvido isso dentro da institucionalidade da presidência”.