O caso envolvendo Andressa Urach não é apenas mais uma polêmica de internet. Trata-se de um sintoma grave de uma lógica perversa: a normalização do uso de qualquer vínculo humano como mercadoria.
Mesmo que não exista conteúdo sexual explícito, o anúncio em si já representa uma ruptura ética profunda. Transformar a relação entre mãe e filho em insinuação comercial não é provocação artística, nem liberdade de expressão. É exploração simbólica.
O discurso de que “foi pedido pelos seguidores” não absolve. Pelo contrário, revela um problema ainda maior: quando o engajamento passa a ditar decisões que deveriam ser barradas pelo senso mínimo de responsabilidade.
A internet não pode ser um território sem limites. Quando tudo vira estratégia, nada mais é humano. E esse é o ponto em que o debate precisa parar de girar em torno de likes e começar a discutir consequências.