Entidade afirma que Brasil tem mais de 100 destinos para o grão e prioriza abastecimento interno neste primeiro semestre
A Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) informou que acompanha com atenção o conflito no Oriente Médio, mas avalia que a guerra não deve provocar impactos imediatos nas exportações brasileiras de milho.
Nos últimos anos, o Irã se consolidou como o principal parceiro comercial do Brasil na compra do grão. Em 2024, foram embarcadas 9,08 milhões de toneladas para o país, volume que representou cerca de 20% de toda a exportação brasileira de milho.
Apesar da relevância do mercado iraniano, a entidade afirma que o Brasil possui uma base diversificada de compradores. “Não acreditamos em recuo de preços porque o milho nacional tem mais de 100 destinos”, destacou o presidente da Abramilho, Paulo Bertolini.
Mercado estratégico e fertilizantes
Para o Irã, o Brasil é fornecedor estratégico: aproximadamente 80% do milho importado pelo país tem origem brasileira. A relação comercial também envolve fertilizantes. Em 2024, os iranianos exportaram 184,7 mil toneladas de ureia ao Brasil.
No entanto, o mercado iraniano não é o principal fornecedor do insumo. A Rússia vendeu 2,5 milhões de toneladas ao Brasil, enquanto a China liderou o fornecimento, com 8 milhões de toneladas.
Embora o Irã seja o terceiro maior produtor mundial de gás natural — matéria-prima essencial para fertilizantes nitrogenados — suas exportações diretas ao Brasil são limitadas por sanções internacionais. Em 2025, o Brasil importou cerca de US$ 84 milhões em produtos iranianos.
Prioridade é o mercado interno
O conflito ocorre em um momento em que o consumo interno supera a produção da primeira safra. O Brasil produz cerca de 26 milhões de toneladas neste ciclo inicial, enquanto o consumo no primeiro semestre alcança aproximadamente 50 milhões de toneladas, considerando também os estoques remanescentes da segunda safra do ano anterior.
Diante desse cenário, o setor prioriza o abastecimento interno. As exportações devem ganhar ritmo a partir de maio, com o início da colheita da segunda safra.
Segundo a Abramilho, não há expectativa de impacto no curto prazo. No entanto, a entidade reforça que uma eventual escalada do conflito internacional pode influenciar o cenário futuro.