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O “Modelo Goiás” e a Aposta de Caiado para 2026

por Giuliano Mioto
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A consolidação de Ronaldo Caiado como o nome favorito do PSD para a disputa presidencial de 2026 marca um novo capítulo na política brasileira. Sabemos que ele não havia conseguido viabilizar sua candidatura no União Brasil e teve que fazer um movimento bastante arriscado, que foi a sua filiação ao PSD, partido que já tinha pelo dois presidenciáveis na fila. Após o anúncio da desistência de Ratinho Jr., eis que o governador de Goiás praticamente ressurge das cinzas e emerge como uma alternativa que busca unir eficiência administrativa e com um posicionamento à direita do espectro político. Sua trajetória é marcada por um histórico de oposição longeva ao PT e serve como base para um discurso que tenta romper a polarização binária entre Lula x Bolsonaro, apresentando-se como uma alternativa no cenário político, que o projeta novamente para o plano nacional com o discurso de equilíbrio fiscal e segurança pública. Sem falar nos altíssimos índices de aprovação de que goza em terras goianas.

O grande trunfo da sua pré-candidatura reside, obviamente, no tema da segurança pública, área onde Goiás ostenta índices que contrastam com a crise enfrentada por outras unidades da federação. A máxima de que “o bandido ou muda de profissão, ou muda de estado” deixou de ser um slogan regional para se tornar o pilar de uma plataforma que tem o potencial de atrair o eleitorado cansado da impunidade e da criminalidade que domina o país. Ao falar sobre os resultados de sua gestão, que incluem avanços expressivos no IDEB e na saúde, Caiado tenta provar que é possível um governo alegadamente conservador se preocupar com pautas sociais e entregar serviços públicos de qualidade, distanciando-se do ruído ideológico estéril e histérico de certas lideranças da “direita” brasileira, para focar em uma governança de resultados tangíveis.

Mas nem tudo são flores, o caminho até o Planalto impõe enormes desafios proporcionais à sua ambição. Embora seja o governador mais bem avaliado do país, o “recall” nacional de Caiado ainda é fraco e precisa ser ampliado, especialmente em regiões onde sua atuação histórica é menos conhecida. A estratégia traçada pelo marqueteiro de Caiado prevê uma nacionalização baseada em temas sensíveis ao eleitorado de centro-direita, como o combate à corrupção, segurança pública e a defesa das prerrogativas institucionais. O objetivo é claro: posicionar o goiano como um estadista experiente que possui as qualidades necessárias para liderar o país sem os sobressaltos da polarização extremada.

Para Goiás, a projeção de Caiado como protagonista nacional eleva o patamar de visibilidade do estado. A sucessão estadual, liderada pelo vice Daniel Vilela, torna-se peça-chave para garantir que o grupo continue no poder enquanto o Caiado percorre o Brasil em sua busca pelo cargo de presidente. Em um cenário fragmentado e polarizado, a aposta de Caiado é a de que a maioria dos eleitores brasileiros, em 2026, buscarão fugir do embate de narrativas e buscar alguém que se apresente com um discurso mais focado no consenso. O fato é que trata-se de um enorme desafio.

Por Giuliano Miotto, advogado, escritor e cientista político

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