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Goiás lidera crescimento de casos de feminicídio no Brasil

por Luma Silveira
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Registros desse tipo de crime mais que dobram no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2025; educação para igualdade de gênero é defendida como principal ferramenta no combate a violência contra mulheres 

Os casos de feminicídio em Goiás mais que dobraram no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2025. De acordo com o Monitoramento Nacional de Violência Contra a Mulher, documento publicado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, o estado lidera a lista de estados com maior crescimento proporcional na ocorrência desse tipo de crime. Foram 47 registros entre janeiro e junho de 2026 contra 22 nos meses equivalentes do ano anterior. 

O estado parece exibir uma tendência estrutural. Segundo números apresentados pelo Validador de Dados Estatísticos do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp-VDE), o estado fechou 2025 com um total de 59 feminicídios consumados e 214 tentativas, superando 2024 em 12,7%, quando foram registrados 188 feminicídios na forma tentada. 

De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, entre 2018 e 2025 houve aumento de 63% do número de feminicídios consumados no estado. Ao longo desse lapso de tempo, apenas o período 2020-22 registra uma ligeira diminuição de casos. No restante da série histórica, a tendência geral foi de crescimento. 

O impacto negativo desses números já reverbera, inclusive, nos debates e discussões de postulantes ao legislativo goiano, no contexto das eleições deste ano. Boa parte avalia que a tendência não só a um aumento persistente dos casos de feminicídio ao longo da última década como o crescimento verificado no primeiro semestre deste ano revelam um problema que deixa raízes mais profundas, sob a forma de uma cultura em velhos e anacrônicos padrões comportamentais. 

“Quando aparece esse tipo de estatística, fica claro que o problema não se resume a uma questão de endurecimento de legislação penal, até porque a própria lei que define o crime de feminicídio é uma demonstração clara desse endurecimento. A persistência de um quadro de explosão da violência contra a mulher, especialmente na sua forma mais extrema, é um indício de que somente fazer leis não basta”, comenta a pré-candidata a deputada estadual Arianne Cândido (UB). 

Jornalista com experiência na cobertura do noticiário policial, Arianne destaca que uma das medidas possíveis é a promoção de ações afirmativas por parte do Poder Público no campo da educação. “A escola já vem se tornando esse lugar de promoção de uma cultura de respeito à diversidade e igualdade de gênero. É por meio de ações estruturais que uma violência que é estrutural vai diminuir”, salienta. 

Outra medida defendida pela pré-candidata é a adoção de medidas de reforço de uma legislação em fase de implemento, destinada a limitar a prática de crimes de violência contra a mulher em ambiente digital. “Iniciativas como o Decreto Federal 12.976 são louváveis. Cabe aos detentores de mandato nessa nova Legislatura, que vai se iniciar no ano que vem, atuar com força no sentido de regulamentar as redes, com o devido respeito ao direito à liberdade de opinião”, frisa. 

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