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O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, contratou o ex-senador Chiquinho Feitosa, ex-cunhado do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo reportagem publicada pelo Estadão nesta sexta-feira (18), Feitosa também participou de articulações relacionadas a uma reunião entre advogados ligados ao banco e o magistrado.
As informações constam de mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) no celular de Vorcaro. Os diálogos mostram tratativas comerciais entre o banqueiro e o ex-senador, além de contatos relacionados a interesses do Banco Master.
O caso ganhou repercussão por envolver um profissional com vínculo familiar anterior com um integrante do STF. Entretanto, os elementos divulgados não comprovam que Gilmar Mendes tenha participado da contratação ou favorecido o banco em decisões judiciais.
Contrato previa pagamentos mensais de R$ 500 mil
De acordo com o Estadão, as conversas entre Daniel Vorcaro e Chiquinho Feitosa ocorreram ao longo de 2024.
As negociações incluíam um contrato de assessoria com previsão de pagamentos mensais de R$ 500 mil. Além disso, havia a previsão de um valor adicional de R$ 800 mil na primeira parcela.
Chiquinho confirmou que prestou serviços de consultoria à Super Empreendimentos, empresa ligada a Vorcaro. No entanto, afirmou que a relação contratual durou pouco tempo.
Ex-cunhado de Gilmar Mendes intermediou encontro com o STF
Em abril de 2024, Chiquinho encaminhou a Vorcaro informações relacionadas a uma audiência no gabinete de Gilmar Mendes, no Supremo Tribunal Federal.
O encontro envolveu advogados ligados ao Banco Master, entre eles Bruno Bianco.
Posteriormente, o ex-senador enviou uma mensagem ao banqueiro relatando que a conversa entre Bianco e Gilmar Mendes havia ocorrido de maneira positiva.
Além disso, os diálogos mencionam processos relacionados a precatórios do setor sucroalcooleiro e regras para a abertura de cursos de Medicina. Os dois assuntos envolviam interesses econômicos associados ao Banco Master.
Apesar das mensagens, Chiquinho Feitosa negou ter intermediado encontros entre funcionários da instituição financeira e o ministro.
Gilmar Mendes afirma que desconhecia contratação
Procurado pela imprensa, Gilmar Mendes declarou que não tinha conhecimento das negociações entre seu ex-cunhado e Daniel Vorcaro.
O ministro confirmou que recebeu advogados em uma audiência institucional no STF. Entretanto, afirmou que não votou favoravelmente aos interesses atribuídos ao Banco Master nos processos mencionados.
Bruno Bianco, por sua vez, declarou que atuava de forma independente, por meio de seu escritório de advocacia. Ele também afirmou que não integrava os quadros do Banco Master.
Até o momento, as informações divulgadas demonstram a existência de tratativas comerciais e contatos relacionados à reunião. Contudo, não estabelecem que o ministro tenha participado do contrato ou praticado irregularidades.