Doação de órgãos em vida pode ser uma possibilidade para pessoas idosas, desde que a avaliação médica confirme condições adequadas de saúde. Neste domingo, 27 de setembro, reportagem da Agência Brasil sobre o Setembro Verde destaca que a idade, isoladamente, não determina a exclusão de um possível doador.
No entanto, a decisão exige investigação individual dos riscos para quem doa e para quem recebe. O nefrologista Geraldo Freitas, do Hospital Universitário de Brasília, explica à agência que os exames precisam ser especialmente cuidadosos depois dos 60 anos.
A reportagem relata o caso de Arivaldo Sampaio, que doou um rim ao filho em 2023, aos 69 anos. Ainda assim, a experiência de uma família não permite concluir que outra pessoa da mesma idade esteja apta ao procedimento.
Doação de órgãos exige avaliação além da idade
Segundo o especialista ouvido pela Agência Brasil, a investigação inclui exames de sangue e urina, avaliação da função dos rins, imagens e análise cardiovascular. Além disso, condições como hipertensão, diabetes e problemas cardíacos podem impedir a doação, conforme a situação clínica.
O Ministério da Saúde esclarece que o doador vivo precisa ter capacidade jurídica, concordar voluntariamente e apresentar condições satisfatórias de saúde. Portanto, a vontade de ajudar não substitui a avaliação da equipe responsável pelo transplante.
Entre as possibilidades descritas pelo ministério estão um dos rins e partes do fígado ou do pulmão. Também existe doação de medula óssea, e a compatibilidade entre doador e receptor integra a análise do procedimento.
Para a doação de órgãos entre pessoas vivas, a orientação ministerial contempla cônjuges e parentes até o quarto grau. Já a doação a uma pessoa sem parentesco exige autorização judicial, além dos demais critérios aplicáveis.
Conversa com a família é essencial para doação após a morte
A situação muda quando se trata de doar depois da morte. Conforme a orientação do Sistema Nacional de Transplantes, a família precisa autorizar o procedimento, mesmo que a pessoa tenha manifestado esse desejo anteriormente.
Por isso, conversar com os familiares é uma medida prática para tornar conhecida a própria vontade. Não é necessário registrar essa decisão em cartório nem carregar um documento específico, informa o Ministério da Saúde.
Assim, as duas situações envolvem decisões distintas: em vida, há consentimento do próprio doador e avaliação clínica; após a morte, a autorização familiar integra o processo. Explicar essa diferença em casa ajuda a evitar dúvidas sobre quem participa de cada decisão.
Antes de considerar uma doação em vida, a pessoa interessada deve discutir sua situação com a equipe de transplante. Dessa forma, recebe orientação individual sobre exames, riscos cirúrgicos e exigências, sem tomar o caso de outro paciente como garantia de segurança.
Estetoscópio. Imagem de arquivo ilustrativa; não retrata um procedimento de transplante. Foto: Jacek Halicki. Origem · CC BY-SA 4.0. Recorte e redimensionamento. Adaptação sob a mesma licença.
Com informações de Agência Brasil e Ministério da Saúde.